[PATCH] docs: translations: pt_BR: threat_model.rst
From: vinihsr
Date: Tue Sep 15 2026 - 22:27:15 EST
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diff --git a/Documentation/translations/pt_BR/process/index.rst b/Documentation/translations/pt_BR/process/index.rst
index eda2a3fc5166f..5b441fcb271c3 100644
--- a/Documentation/translations/pt_BR/process/index.rst
+++ b/Documentation/translations/pt_BR/process/index.rst
@@ -72,6 +72,7 @@ gerenciamento de bugs e vulnerabilidades.
:maxdepth: 1
Falhas de segurança <security-bugs>
+ O modelo de ameaças do kernel do Linux <threat-model>
CVEs <cve>
Informações para mantenedores
diff --git a/Documentation/translations/pt_BR/process/threat-model.rst b/Documentation/translations/pt_BR/process/threat-model.rst
new file mode 100644
index 0000000000000..a5715ef2c57d1
--- /dev/null
+++ b/Documentation/translations/pt_BR/process/threat-model.rst
@@ -0,0 +1,252 @@
+O modelo de ameaças do kernel do Linux
+======================================
+
+Existem muitas suposições sobre o que o kernel protege e o que não protege.
+Essas suposições tendem a causar confusão nos relatórios de bugs
+(:doc:`relacionados à segurança <security-bugs>` vs :doc:`não relacionados à
+segurança <../admin-guide/reporting-issues>`), e podem complicar a aplicação
+das medidas de segurança quando as responsabilidades por certos limites não
+estão claras entre o kernel, as distribuições, os administradores e os usuários.
+
+Este documento tenta esclarecer as responsabilidades do kernel neste domínio.
+
+As responsabilidades do kernel
+------------------------------
+
+O kernel abstrai o acesso aos recursos de hardware locais e a sistemas remotos
+de forma a permitir que múltiplos usuários locais obtenham uma parcela justa dos
+recursos disponíveis concedidos a eles e, quando o hardware subjacente permitir,
+atribuir um nível de confidencialidade às suas comunicações e aos dados que
+estão processando ou armazenando.
+
+O kernel presume que o hardware subjacente se comporta de acordo com suas
+especificações. Isso inclui a integridade do conjunto de instruções da CPU, a
+transparência da unidade de previsão de desvios e das unidades de cache, a
+consistência da Unidade de Gerenciamento de Memória (MMU), o isolamento de
+periféricos com capacidade de DMA (por exemplo, via IOMMU), transições de estado
+nos controladores, intervalos de valores lidos dos registradores, o respeito às
+limitações de hardware documentadas, etc.
+
+Quando o hardware não consegue manter o isolamento especificado (por exemplo,
+falhas na CPU, canais laterais, resposta do hardware a entradas inesperadas), o
+kernel geralmente tenta implementar medidas de mitigação razoáveis. Trata-se de
+medidas de melhor esforço destinadas a reduzir a superfície de ataque ou elevar
+o custo de um ataque dentro dos limites dos recursos do hardware; elas não
+constituem uma garantia de segurança fornecida pelo kernel.
+
+Os usuários sempre realizam suas atividades sob a autoridade de um administrador
+capaz de conceder ou negar vários tipos de permissões que podem afetar a forma
+como os usuários se beneficiam dos recursos disponíveis ou o nível de
+confidencialidade de suas atividades. Os administradores também podem delegar
+todas ou parte de suas próprias permissões a alguns usuários, particularmente
+por meio de capacidades (capabilities), mas não apenas. Tudo isso é realizado
+por meio de configuração (sysctl, permissões do sistema de arquivos, etc.).
+
+O kernel do Linux aplica um determinado conjunto de configurações padrão que
+correspondem ao seu modelo de ameaças. As distribuições têm seu próprio modelo
+de ameaças e vêm com suas próprias predefinições de configuração, as quais o
+administrador pode ter que ajustar para melhor atender às suas expectativas
+(flexibilizar ou restringir).
+
+Por padrão, o kernel do Linux garante as seguintes proteções ao ser executado em
+processadores comuns que possuem níveis de privilégio e unidades de
+gerenciamento de memória:
+
+* **Isolamento baseado no usuário**: um usuário sem privilégios pode restringir
+ o acesso aos seus próprios dados por parte de outros usuários sem privilégios
+ que estejam executando no mesmo sistema. Isso inclui:
+
+ * dados armazenados, por meio de permissões do sistema de arquivos
+ * dados na memória (as páginas não são acessíveis, por padrão, a outros
+ usuários)
+ * atividade do processo (o ptrace não é permitido a outros usuários)
+ * comunicação entre processos (outros usuários não podem observar os dados
+ trocados por meio de soquetes de domínio UNIX ou outros mecanismos de IPC).
+ * comunicações de rede dentro do mesmo sistema ou com outros sistemas
+
+* **Proteção baseada em capacidades**:
+
+ * usuários que não possuam capacidades elevadas (incluindo, mas não se
+ limitando a CAP_SYS_ADMIN) não podem alterar a configuração, a memória nem o
+ estado do kernel, modificar a visão de outros usuários sobre o layout do
+ sistema de arquivos, conceder a qualquer usuário capacidades que ele não
+ possua, nem afetar a disponibilidade do sistema (desligamento,
+ reinicialização, pânico, travamento ou tornar o sistema irresponsivo por
+ esgotamento ilimitado de recursos).
+ * usuários que não possuam a capacidade ``CAP_NET_ADMIN`` não podem alterar a
+ configuração de rede, interceptar nem falsificar comunicações de rede de
+ outros usuários ou sistemas.
+ * usuários que não possuam ``CAP_SYS_PTRACE`` não podem observar as atividades
+ dos processos de outros usuários.
+
+Quando ``CONFIG_USER_NS`` está definido, o kernel também permite que usuários
+sem privilégios criem seu próprio namespace de usuário, no qual possuem todas as
+capacidades, mas com algumas restrições (eles não podem realizar ações que
+tenham impacto no namespace de usuário inicial, como alterar a hora, carregar
+módulos ou montar dispositivos de bloco). Consulte ``user_namespaces(7)`` para
+obter mais detalhes; as possibilidades dos namespaces de usuário não são
+abordadas neste documento.
+
+O kernel também oferece diversos recursos de solução de problemas e depuração,
+os quais podem constituir vetores de ataque quando caem em mãos erradas. Embora
+alguns deles tenham sido projetados para serem acessíveis a usuários locais
+comuns com baixo risco (por exemplo, logs do kernel via ``/dev/kmsg``), alguns
+exporiam informações suficientes para representar um risco na maioria dos casos,
+e a decisão de expô-los é de responsabilidade do administrador (eventos perf,
+rastreamentos), e outros não foram projetados para serem acessados por usuários
+sem privilégios (por exemplo, debugfs). O acesso a esses recursos por um usuário
+que tenha recebido permissão explícita de um administrador não constitui uma
+violação de segurança.
+
+Bugs que permitem violar os princípios acima constituem brechas de segurança.
+No entanto, bugs que permitem uma violação somente após outra já ter sido
+alcançada são apenas pontos fracos. O kernel aplica uma série de medidas de
+autoproteção cujo objetivo é evitar que um limite de segurança seja ultrapassado
+quando certas classes de bugs são encontradas, mas uma falha nessas proteções
+adicionais não constitui, por si só, uma vulnerabilidade.
+
+O que não constitui um bug de segurança
+---------------------------------------
+
+No modelo de ameaças do kernel do Linux, as seguintes classes de problemas
+**NÃO** são consideradas bugs de segurança do kernel do Linux. No entanto,
+quando se acredita que o kernel poderia ser melhor, eles devem ser relatados,
+para que possam ser analisados e corrigidos sempre que razoavelmente possível,
+mas serão tratados como qualquer bug comum:
+
+* **Configuração**:
+
+ * kernels desatualizados e, particularmente, ramos em fim de vida útil estão
+ fora do escopo do modelo de ameaças do kernel: os administradores são
+ responsáveis por manter seus sistemas atualizados. Para que um bug seja
+ qualificado como um bug de segurança, deve ser demonstrado que ele afeta
+ versões mantidas ativamente.
+
+ * nível de compilação: alterações na configuração do kernel que estejam
+ explicitamente documentadas como redutoras do nível de segurança (por
+ exemplo, ``CONFIG_NOMMU``) ou destinadas apenas a desenvolvedores.
+
+ * nível do sistema operacional: alterações nos parâmetros da linha de comando,
+ sysctls, permissões do sistema de arquivos, capacidades do usuário e
+ exposição de interfaces privilegiadas que aumentem explicitamente a
+ exposição, seja oferecendo acesso não padrão a usuários sem privilégios,
+ seja reduzindo a capacidade do kernel de aplicar algumas proteções ou
+ medidas de mitigação. Exemplo: acesso de gravação ao procfs ou ao debugfs.
+
+ * problemas acionados apenas ao usar recursos destinados ao desenvolvimento ou
+ depuração (por exemplo, LOCKDEP, KASAN, FAULT_INJECTION): sabe-se que esses
+ recursos introduzem sobrecarga e instabilidade potencial e não se destinam
+ ao uso em produção.
+
+ * problemas que afetam drivers expostos sob CONFIG_STAGING, bem como recursos
+ marcados como EXPERIMENTAL na configuração.
+
+ * carregamento de módulos explicitamente inseguros/quebrados/em fase de teste
+ e, de modo geral, qualquer uso de subsistema marcado como experimental ou
+ não destinado ao uso em produção.
+
+ * execução de módulos fora da árvore ou bifurcações não oficiais do kernel;
+ esses casos devem ser relatados ao fornecedor relevante.
+
+* **Excesso de privilégios iniciais**:
+
+ * ações realizadas por um usuário que já possui os privilégios necessários
+ para executar essa ação ou modificar esse estado (por exemplo,
+ ``CAP_SYS_ADMIN``, ``CAP_NET_ADMIN``, ``CAP_SYS_RAWIO``, ``CAP_SYS_MODULE``,
+ sem que nenhum outro limite seja ultrapassado).
+
+ * ações realizadas no namespace do usuário que não contornam as restrições
+ impostas ao usuário inicial (por exemplo, uso de ptrace, envio de sinais,
+ uso de recursos, acesso a FS/dispositivo/sysctl/memória, vínculo de rede,
+ configuração do sistema/rede, etc.).
+
+ * qualquer ação realizada pelo usuário root no namespace inicial (por exemplo,
+ erro fatal do kernel - oops - ao gravar em um dispositivo privilegiado).
+
+* **Fora do uso em produção**:
+
+ Isso abrange ataques teóricos/probabilísticos que dependem de condições de
+ laboratório com ruído zero no sistema, ou aqueles que exigem um número
+ irrealista de tentativas (por exemplo, bilhões de tentativas) que seriam
+ detectadas pelo monitoramento padrão do sistema muito antes do sucesso,
+ tais como:
+
+ * previsão de números aleatórios que só funciona em um ambiente totalmente
+ silencioso (como ID de IP, portas TCP ou números de sequência que só podem
+ ser adivinhados em laboratório).
+
+ * observação de atividades e vazamentos de informações com base em abordagens
+ probabilísticas que são suscetíveis a ruído de medição e não são
+ realisticamente reproduzíveis em um sistema de produção.
+
+ * problemas que só podem ser desencadeados por ataques intensos (por exemplo,
+ força bruta), cujo impacto no sistema torna improvável ou impossível
+ permanecerem indetectáveis antes de serem bem-sucedidos (por exemplo,
+ consumir toda a memória antes de ter sucesso).
+
+ * problemas observados apenas em simuladores de desenvolvimento, emuladores ou
+ combinações que não existem em sistemas reais no momento do relato
+ (problemas envolvendo dezenas de milhões de threads, dezenas de milhares de
+ CPUs, frequências de CPU, tamanhos de RAM ou capacidades de disco
+ irrealistas, velocidades de rede).
+
+ * problemas cuja reprodução requer modificação de hardware ou emulação,
+ incluindo dispositivos USB falsos que se passam por outros.
+
+ * bem como problemas que podem ser acionados a um custo que é ordens de
+ magnitude superior aos benefícios esperados (por exemplo, um emulador de
+ teclado totalmente funcional apenas para recuperar 7 bytes não inicializados
+ em uma estrutura, ou um método de força bruta envolvendo milhões de
+ tentativas de conexão para adivinhar um número de porta).
+
+* **Falhas de fortificação (hardening)**:
+
+ * capacidade de contornar algumas das medidas de fortificação do kernel sem um
+ caminho de exploração demonstrável (por exemplo, contorno de ASLR,
+ sincronização de eventos ou sondagem sem consequências demonstráveis).
+ Trata-se apenas de pontos fracos, não de vulnerabilidades.
+
+ * falta de verificações de argumentos e falha ao relatar certos erros sem
+ consequências imediatas.
+
+* **Vazamentos aleatórios de informações**:
+
+ Isso diz respeito a vazamentos de pequenas partes de dados que simplesmente
+ estão presentes e que não podem ser escolhidas pelo invasor, ou que enfrentam
+ restrições de acesso:
+
+ * preenchimento (padding) de estruturas relatado por chamadas de sistema ou
+ outras interfaces.
+
+ * identificadores, dados parciais, strings não terminadas relatadas em
+ mensagens de erro.
+
+ * vazamentos de endereços/ponteiros de memória do kernel não constituem um
+ vetor imediatamente explorável e não são bugs de segurança, embora devam ser
+ relatados e corrigidos.
+
+* **Imagens de sistema de arquivos criadas propositalmente**:
+
+ * bugs desencadeados pela montagem de uma imagem de sistema de arquivos
+ corrompida ou criada de forma maliciosa geralmente não são bugs de
+ segurança, pois o kernel presume que a mídia de armazenamento subjacente
+ está sob o controle do administrador, a menos que o driver do sistema de
+ arquivos esteja especificamente documentado como sendo protegido contra
+ mídias não confiáveis.
+
+ * problemas que são resolvidos, mitigados ou detectados pela execução de uma
+ verificação de consistência do sistema de arquivos (fsck) na imagem antes da
+ montagem.
+
+* **Acesso físico**:
+
+ Problemas que exigem acesso físico à máquina, modificação de hardware ou o uso
+ de hardware especializado (por exemplo, analisadores lógicos, ferramentas de
+ ataque DMA via PCI-E/Thunderbolt) estão fora do escopo, a menos que o sistema
+ esteja explicitamente configurado com tecnologias destinadas a defender contra
+ tais ataques (por exemplo, IOMMU).
+
+* **Regressões funcionais e de desempenho**:
+
+ Qualquer problema que possa ser mitigado pela definição de permissões e
+ limites adequados não se qualifica como um bug de segurança.
--
2.34.1